segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Poema Transitório
(...) é
preciso partir
é preciso chegar
é preciso partir é preciso chegar... Ah, como esta vida é urgente!
... no entanto
eu gostava mesmo era de partir...
e - até hoje - quando acaso embarco
para alguma parte
acomodo-me no meu lugar
fecho os olhos e sonho:
viajar, viajar
mas para parte nenhuma...
viajar indefinidamente...
como uma nave espacial perdida entre as estrelas.
é preciso chegar
é preciso partir é preciso chegar... Ah, como esta vida é urgente!
... no entanto
eu gostava mesmo era de partir...
e - até hoje - quando acaso embarco
para alguma parte
acomodo-me no meu lugar
fecho os olhos e sonho:
viajar, viajar
mas para parte nenhuma...
viajar indefinidamente...
como uma nave espacial perdida entre as estrelas.
sábado, 17 de novembro de 2012
CRUZ E SOUSA
João da Cruz e Sousa (Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis), 24 de novembro de 1861 — Estação do Sítio, 19 de março de 1898), alcunhado Dante Negro e Cisne Negro. Foi um dos precursores do simbolismo no Brasil.
BRAÇOS
Braços nervosos, brancas opulências,
brumas brancuras, fúlgidas brancuras,
alvuras castas, virginais alvuras,
latescências das raras latescências.
As fascinantes, mórbidas dormências
dos teus abraços de letais flexuras,
produzem sensações de agres torturas,
dos desejos as mornas florescências.
Braços nervosos, tentadoras serpes
que prendem, tetanizam como os herpes,
dos delírios na trêmula coorte ...
Pompa de carnes tépidas e flóreas,
braços de estranhas correções marmóreas,
abertos para o Amor e para a Morte!
BRAÇOS
Braços nervosos, brancas opulências,
brumas brancuras, fúlgidas brancuras,
alvuras castas, virginais alvuras,
latescências das raras latescências.
As fascinantes, mórbidas dormências
dos teus abraços de letais flexuras,
produzem sensações de agres torturas,
dos desejos as mornas florescências.
Braços nervosos, tentadoras serpes
que prendem, tetanizam como os herpes,
dos delírios na trêmula coorte ...
Pompa de carnes tépidas e flóreas,
braços de estranhas correções marmóreas,
abertos para o Amor e para a Morte!
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Instrucciones para cruzar el desierto
Para cruzar
este íntimo desierto
hace falta coraje, tiempo, ganas
de no perder la vida preparando
un viaje que jamás emprenderemos,
un camello leal, un compañero
lo mismo, un mapa vano,
un turbante, una brújula,
diez cajas de bombones (recuerdo de Occidente)
y una chilaba azul...¿qué más? Un libro
que haga las veces de Corán, de Biblia,
de Torah y Tao y tenga
las páginas en blanco o esté escrito
en una lengua que nadie comprenda.
Hace falta una cierta confianza en la sed,
una mirada limpia, y un cuaderno
de notas que los días
son largos, lentos, y las noches tristes,
y no hay tienda ni tribu
ni dios que asista en tanta soledad.
Para cruzar este íntimo desierto
hace falta querer, tener que, decidir
echarse a andar y no mirar atrás,
no cejar, no tener otro remedio.
hace falta coraje, tiempo, ganas
de no perder la vida preparando
un viaje que jamás emprenderemos,
un camello leal, un compañero
lo mismo, un mapa vano,
un turbante, una brújula,
diez cajas de bombones (recuerdo de Occidente)
y una chilaba azul...¿qué más? Un libro
que haga las veces de Corán, de Biblia,
de Torah y Tao y tenga
las páginas en blanco o esté escrito
en una lengua que nadie comprenda.
Hace falta una cierta confianza en la sed,
una mirada limpia, y un cuaderno
de notas que los días
son largos, lentos, y las noches tristes,
y no hay tienda ni tribu
ni dios que asista en tanta soledad.
Para cruzar este íntimo desierto
hace falta querer, tener que, decidir
echarse a andar y no mirar atrás,
no cejar, no tener otro remedio.
Juan Vicente Piqueras
sábado, 27 de outubro de 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
Dieta para a vida toda - Luiz Fernando Veríssimo
"Cada semana, uma novidade. A última, foi que pizza previne câncer do esófago. Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice d
iário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas, espere aí, não exagere...Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos. Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal prá minha saúde.
Prazer faz muito bem...
Dormir me deixa 0 km...
Ler um bom livro, faz-me sentir novo em folha...
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas, depois, rejuvenesço uns cinco anos!
Viagens aéreas não me incham as pernas...incham-me o cérebro, volto cheio de ideias!
Brigar, me provoca arritmia cardíaca...
Ver pessoas tendo acessos de estupidez, me embrulha o estômago!
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro, me faz perder toda a fé no ser humano...
E telejornais...Os médicos deveriam proibir...como doem!
Caminhar faz bem, namorar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o auto-controlo e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã, arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite, isso sim, é prejudicial à saúde. E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda. Não pedir perdão pelas nossas mancadas, dá câncer, guardar mágoas, ser pessimista, preconceituoso ou falso moralista, não há tomate ou mozarela que previna!
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espectacular, uau!
Cinema é melhor prá saúde do que pipoca.
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida. Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é o melhor de tudo e muito melhor do que nada!"
Prazer faz muito bem...
Dormir me deixa 0 km...
Ler um bom livro, faz-me sentir novo em folha...
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas, depois, rejuvenesço uns cinco anos!
Viagens aéreas não me incham as pernas...incham-me o cérebro, volto cheio de ideias!
Brigar, me provoca arritmia cardíaca...
Ver pessoas tendo acessos de estupidez, me embrulha o estômago!
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro, me faz perder toda a fé no ser humano...
E telejornais...Os médicos deveriam proibir...como doem!
Caminhar faz bem, namorar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o auto-controlo e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã, arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite, isso sim, é prejudicial à saúde. E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda. Não pedir perdão pelas nossas mancadas, dá câncer, guardar mágoas, ser pessimista, preconceituoso ou falso moralista, não há tomate ou mozarela que previna!
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espectacular, uau!
Cinema é melhor prá saúde do que pipoca.
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida. Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é o melhor de tudo e muito melhor do que nada!"
terça-feira, 9 de outubro de 2012
O ESTRANHO MUNDO DE ERIK-THOR SANDBERG
Erik-Thor Sandberg em cada uma das suas composições, procura
estabelecer uma conversa entre o artista e o espectador. O diálogo gerado pelos
seus trabalhos, são sucessivas interrogações, com o objetivo de questionar a
identidade humana. Usa um simbolismo muito pessoal, criando narrativas sem
começo, nem fim, captando momentos cruciais e isolando-os. Momentos suspensos,
em que o artista abstém-se de fazer julgamentos.
Sandberg tem representado cenas do vício e de virtude, do ponto de
vista de que a natureza humana é inerentemente imperfeita. As suas pinturas
habilmente trabalhadas, revelam de forma inesperada como a imperfeição torna a
vida interessante. Quantas vezes o inquietante e o grotesco, se tornam no belo!
No entanto essa beleza, constante no seu trabalho, contrasta com elementos
bastante perturbadores, que sendo imaginários, muito têm a ver com a realidade.
sábado, 6 de outubro de 2012
«AS CINQUENTAS SOMBRAS DE GREY»
O êxito do momento, «As cinquenta sombras de Grey», um êxito a nível global
que já vendeu c. de 50 milhões de exemplares, de uma escritora inglesa, Erika
Leonard, que só tinha escrito umas histórias fantásticas online.
«Pornografia para donas de casa», é assim que é apelidado. A escritora
conseguiu ter um êxito mais rápido que Dan Brown! Em entrevista, relativamente
ao êxito que encontrou no público feminino disse: « a minha história tem
elementos de contos de fadas e é isso que encanta as mulheres»(!!!!) O sexo não
é o mais importante». (!!!!!!) Hollywood já comprou os direitos, para fazer um
filme.
A história é sobre uma jovem de 21 anos, virgem, que conhece um Adónis de
27, milionário, charmoso, irresistível, que vê na jovem a companheira ideal
para praticar as suas práticas sexuais especiais, onde predomina o masoquismo.
Amor não entra, mas sexo puro e duro. E assim o enredo do livro, vai de prática
em prática, com a jovem a submeter-se ao seu parceiro.!!!
Marta Crawford, sexóloga, diz que não leu o livro, mas sabe que está mal
escrito e as cenas de sexo sucedem-se página sim, página não, um erotismo de
cordel repetitivo, com uma sexualidade pouco comum e que tem por trás muito
trabalho de publicidade.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
ANNIE DILLARD
Fé é nostalgia. É um nó na garganta. A fé é mais um
passo adiante do que uma posição, mais um pressentimento do que uma
certeza. A fé é espera. Ela está caminhando no tempo e no espaço. Portanto,
se alguém se chega a mim e me pede para
falar sobre minha fé, é exatamente sobre essa jornada no tempo e no espaço que
falo. Os altos e baixos das lágrimas, os sonhos, os momentos particulares, as intuições. Falo sobre a sensação ocasional que
tenho de que a vida não é uma sequência de eventos que gera outros eventos tão a esmo, quanto uma tacada no jogo
de bilhar faz com que as bolas se afastem em diferentes direções, mas que a vida
tem um roteiro, assim como num romance -
aqueles eventos que, de algum modo, nos levam a algum lugar.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
"Gosto desta ideia: que o amor é uma forma de conversação em que as palavras agem em vez de serem faladas."
"Se, pelo menos, pudéssemos viver duas vezes: a primeira vez, para cometer todos os inevitáveis erros; a segunda, para lucrar com eles."
D. h. lawrence
http://www.online-literature.com/dh_lawrence/
Pintura. ???http://blogue.sitiodolivro.pt/2012/06/25/o-hall-of-fame-da-auto-publicacao/d_h_lawrence/
"Se, pelo menos, pudéssemos viver duas vezes: a primeira vez, para cometer todos os inevitáveis erros; a segunda, para lucrar com eles."
D. h. lawrence
http://www.online-literature.com/dh_lawrence/
Pintura. ???http://blogue.sitiodolivro.pt/2012/06/25/o-hall-of-fame-da-auto-publicacao/d_h_lawrence/
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
terça-feira, 7 de agosto de 2012
NELSON MANDELA
Foi inaugurado, um monumento a Nelson Mandela, em Howick, perto de Durban, África do Sul. Local onde foi detido há 50 anos, quando lutava clandestinamente contra o «apartheid»-
"A maior glória de viver não consiste em jamais cair, mas em reerguermo-nos sempre que o fizermos." Mandela
"A maior glória de viver não consiste em jamais cair, mas em reerguermo-nos sempre que o fizermos." Mandela
quinta-feira, 12 de julho de 2012
PETER O'TOOLE
Peter O'Toole, esse extraordinário actor de teatro e cinema, disse adeus à representação, aposentando-se aos 79 anos. Ao ler a notícia não deixei de lembrar a sua gloriosa carreira, destacando o filme «Lawrence da Arábia»
quarta-feira, 11 de julho de 2012
sexta-feira, 6 de julho de 2012
O Homem e a Borboleta - Chuang Tzu
Uma vez eu sonhei que era uma borboleta,
voando entre as flores e arbustos do jardim.
voando entre as flores e arbustos do jardim.
Tudo era tão concreto e real
que em momento nenhum do meu sonho
suspeitei que a borboleta era eu
ou que eu fosse a borboleta.
que em momento nenhum do meu sonho
suspeitei que a borboleta era eu
ou que eu fosse a borboleta.
Para todos os efeitos possíveis e imagináveis,
eu era, eu agia e eu realmente me sentia uma borboleta,
cumprindo o destino de uma borboleta qualquer.
eu era, eu agia e eu realmente me sentia uma borboleta,
cumprindo o destino de uma borboleta qualquer.
De repente, eu acordei
e lá estava eu, sendo a pessoa que eu sempre fui
– ou que sempre imaginei ser.
e lá estava eu, sendo a pessoa que eu sempre fui
– ou que sempre imaginei ser.
Sei muito bem
que entre um homem e uma borboleta
há tantas diferenças fundamentais e insuperáveis
que a transformação de um no outro
é algo simplesmente impossível de acontecer no mundo real.
que entre um homem e uma borboleta
há tantas diferenças fundamentais e insuperáveis
que a transformação de um no outro
é algo simplesmente impossível de acontecer no mundo real.
É por isso que, desde então,
eu nunca mais tive sossego
quanto à minha verdadeira identidade.
eu nunca mais tive sossego
quanto à minha verdadeira identidade.
Pois não há nada que me permita saber,
com toda certeza e rigor,
sem nenhuma margem de dúvida,
se eu sou verdadeiramente um homem,
que um dia sonhou que era uma borboleta,
ou se eu sou uma borboleta,
sonhando que é um homem.
com toda certeza e rigor,
sem nenhuma margem de dúvida,
se eu sou verdadeiramente um homem,
que um dia sonhou que era uma borboleta,
ou se eu sou uma borboleta,
sonhando que é um homem.
sábado, 30 de junho de 2012
AS TRÊS GRAÇAS
![]() |
sonia delaunay
Na mitologia
grega, as Graças ou Cárites são as deusas do encantamento, da beleza, da natureza, da
criatividade humana e da fertilidade da dança. Eram
filhas de Zeus e Hera, segundo
umas versões, e de Zeus e da deusa Eurínome, segundo
outras. Por sua condição de deusas da beleza, eram associadas a Afrodite, deusa
do amor (ou a Vênus, na mitologia
romana) e dançarinas do Olimpo. Também
se identificavam com as primitivas musas, em
virtude de sua predileção pelas danças corais e pela música.
|
segunda-feira, 25 de junho de 2012
domingo, 17 de junho de 2012
MARIA VARBANOVA
quinta-feira, 14 de junho de 2012
UM LIVRO LIDO NA MINHA ADOLESCÊNCIA E QUE NUNCA ESQUECEREI!
Anne Frank (12 de Junho de 1929 — 31 de Março de 1945) foi uma jovem judia obrigada a viver escondida dos nazistas durante o Holocausto.
«Sinto-me como um pássaro a quem cortaram as asas e que bate, na escuridão, contra as grades da sua gaiola estreita»
«Quando escrevo, sinto um alivio, a minha dor desaparece, a coragem volta... Ao escrever sei esclarecer tudo - os meus pensamentos, os meus ideais, as minhas fantasias».
«Sinto-me como um pássaro a quem cortaram as asas e que bate, na escuridão, contra as grades da sua gaiola estreita»
«Quando escrevo, sinto um alivio, a minha dor desaparece, a coragem volta... Ao escrever sei esclarecer tudo - os meus pensamentos, os meus ideais, as minhas fantasias».
quinta-feira, 7 de junho de 2012
EM QUE TEMPO VIVEMOS?
A temporalidade é evidentemente uma estrutura organizada, e
esses três pretensos "elementos" do tempo, passado, presente ,
futuro, não devem ser considerados como uma colecção de "dados" cuja
soma deve ser feita - por exemplo, como uma série infinita de
"agora", alguns dos quais ainda não são, outros que não são mais -,
mas como momentos estruturados de uma síntese original. Senão encontraremos, em
primeiro lugar, este paradoxo: o passado não é mais, o futuro ainda não é,
quanto ao presente instantâneo, todos sabem que ele não é tudo, é o limite de
uma divisão infinita, como o ponto sem dimensão.
Jean-Paul Sartre, in 'O Ser e o Nada'
Jean-Paul Sartre, in 'O Ser e o Nada'
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Leonardo da Vinci é um
génio da pintura e não só, pois se manifestou genial em diversas áreas.
Os seus quadros têm motivado grande controvérsia. Mona Lisa estará no topo dos vários estudos e interpretações, seguindo-se A Ceia de Cristo (Código da Vinci - Dan Brow), mas São João Batista é também objecto de estudo e de interpretação. Houve muita polêmica sobre o significado da mão do santo apontando para cima, e o seu sorriso enigmático provocou muitas discussões. Enquanto o tronco tem uma certa solidez e força, o rosto e a expressão tem uma delicadeza e misteriosa suavidade/sensualidade, que contradizem a personalidade de São João, o intransigente e abstêmio pregador do deserto, como é descrito na Bíblia. Pode ser que ele tenha escolhido retratar São João no momento seguinte ao batismo de Cristo, quando o Espírito Santo desceu sobre Jesus na forma de uma pomba.
Os seus quadros têm motivado grande controvérsia. Mona Lisa estará no topo dos vários estudos e interpretações, seguindo-se A Ceia de Cristo (Código da Vinci - Dan Brow), mas São João Batista é também objecto de estudo e de interpretação. Houve muita polêmica sobre o significado da mão do santo apontando para cima, e o seu sorriso enigmático provocou muitas discussões. Enquanto o tronco tem uma certa solidez e força, o rosto e a expressão tem uma delicadeza e misteriosa suavidade/sensualidade, que contradizem a personalidade de São João, o intransigente e abstêmio pregador do deserto, como é descrito na Bíblia. Pode ser que ele tenha escolhido retratar São João no momento seguinte ao batismo de Cristo, quando o Espírito Santo desceu sobre Jesus na forma de uma pomba.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
PERSÉPOLIS
Chegou a Portugal a
banda desenhada completa de PERSÉPOLIS, de Marjane Satrapi, lembrei-me da
passagem e visionamento deste filme. Trata-se de uma autobiografia da autora:
«história de uma infância e história de um regresso». Tem como pano de fundo as
grandes mudanças políticas, sociais e culturais que conduziram o Irão ao
isolamento internacional. Marjane diz na introdução: «desde a revolução
islâmica, esta antiga e grandiosa civilização tem sido quase sempre associada
ao fundamentalismo, ao fanatismo e ao terrorismo. Como iraniana que viveu mais
de metade da sua vida no Irão, sei que esta imagem está muito longe da verdade.
Acredito que uma nação inteira não deve ser julgada pelos crimes de uns quantos
extremistas.»
Não Transformes as Tuas Convicções em Pedras
Quando as verdades são evidentes e absolutamente
contraditórias, o que tens a fazer é mudar de linguagem. A lógica não serve
para te ajudar a passares de um andar para o outro. Tu não prevês o
recolhimento a partir das pedras. E, se falares do recolhimento com a linguagem
das pedras, vais-te abaixo. Precisas de inventar essa palavra nova para dares
conta de uma certa arquitectura das tuas pedras.
Antoine de
Saint-Exupéry, in "Cidadela"
sexta-feira, 18 de maio de 2012
UM APÓLOGO (A agulha e a linha - Machado de Assis)
Era uma vez
uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
Machado de Assis
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
Machado de Assis
quinta-feira, 17 de maio de 2012
NUNCA FOI FÁCIL SER MULHER
![]() |
SCHIELE |
Violência, pior acesso a cuidados de saúde, casamentos forçados em
idades jovens, discriminação relativa a heranças e à propriedade, exclusão do
mercado de trabalho, continuam a ser factores de discriminação que atinge a
mulher, segundo um estudo da OCDE.
África e América Central (Brasil oitavo lugar)
estão no topo. Em África o problema é tal que a OCDE estima que o continente
sofra uma perda de 61% no índice de desenvolvimento humano. Paralelamente há
situações positivas, como por exemplo o Ruanda, onde mais de metade dos
deputados são mulheres, a percentagem mais alta do mundo.
terça-feira, 15 de maio de 2012
POR NÃO ESTAREM DISTRAÍDOS
Por Não Estarem Distraídos – Clarice Lispector
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
BOB FOSSE
Robert Louis
Fosse (Chicago em 23 de Junho de 1927 – Washington em 23 de Setembro de 1987) foi um
dançarino, coreógrafo e diretor americano.
Fosse desenvolveu um estilo de
dança de Jazz que foi imediatamente reconhecido e
caracterizado por seu ar sensual. Com a influência de Fred
Astaire ele usou
como acessórios chapéus côco, barras e cadeiras. Aclamado no teatro, onde foi
várias vezes premiado, Bob
Fosse ganhou também no cinema
um Oscar em 1972 pelo filme "Cabaret",
além de várias homenagens na TV pelo especial com a atriz e cantora Liza
Minelli, "Liza com Z".
Em 1986 coreografou, dirigiu e também escreveu o
musical "Big deal". Fosse ganhou
muitos prêmios por seus trabalhos. Seu musical "All
that jazz" de 1979 ganhou a Palma
de Ouro em Cannes e foi indicado para quatro Oscar. Esse
filme foi uma autobiografia sem compromisso.
fonte: wikipedia
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