«Vocês sabem o que significa amar a humanidade? Significa apenas isto: estar satisfeito consigo mesmo. Quando alguém está satisfeito consigo mesmo, ama a humanidade. » Pirandello

quarta-feira, 31 de março de 2010

É URGENTE O AMOR

Fragmento de «A PRIMAVERA» de SANDRO BOTTICELLI

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
EUGÉNIO DE ANDRADE

domingo, 28 de março de 2010

UM ANJO DE POUCA DURAÇÃO...

NORRIE MAY-WELBY, natural da Escócia, nasceu homem aos 48 anos e mudou de sexo há 20. Se não se sentia bem na pele de homem, as tentativas para viver como verdadeira mulher, não foram fáceis!... Não foi aceite no mundo hetero, foi abusada e gozada. A sua pretensão passou a ser não ter género, ser apenas um ser humano, já que não se conseguia definir com honestidade. A viver na Austrália, conseguiu que o governo o considerasse «género neutro», nem homem, nem mulher, o primeiro anjo da Humanidade, os que não têm sexo. Esta decisão durou pouco tempo, o governo revogou a declaração, considerando-o pessoa assexuada.

quinta-feira, 25 de março de 2010

QUE DIRÁ DEUS DA SUA IGREJA?


Nos anos que levo de vida tenho ouvido a Igreja Católica "desculpar-se" por crimes inomináveis, do género dos que hoje se classificariam de crimes contra a humanidade (de fora foram ficando séculos de crimes "menores", como o homicídio, a tortura, a guerra ou a escravidão).
Trata-se de uma organização que habitualmente enche os ouvidos dos fiéis de moralismo sexual (basta ouvi-la falar de divórcio, casamento homossexual, aborto) e que, enquanto isso, encobria milhares de abusos sexuais de crianças praticados no seu seio. Agora, quando já não é possível continuar a encobri-los, o Papa vem de novo pedir "desculpa", mas omitindo qualquer sanção quanto a abusadores e encobridores (ele próprio terá participado nesse encobrimento quando arcebispo de Munique e Freising). A hipocrisia foi ao ponto de, um dia depois, o Papa ter exortado os católicos a não se assumirem como juízes "dos que cometem pecados". É em alturas assim que um ateu como eu lamenta que não haja um Deus que julgue gente desta. E, pelo seu comportamento, cada vez me convenço mais de que a própria Igreja está também convicta .
(PLENAMENTE DE ACORDO)

terça-feira, 23 de março de 2010

AKIRA KUROSAWA



No centenário do nascimento, de Akira Kurosawa (1910-1998), o Google faz-lhe uma homenagem, hoje 23.03, dia do seu nascimento. O director japonês, é daquelas instituições que, pela grandiosidade da sua obra, jamais deixará de estar presente na arte cinematográfica. E foi uma revolução, o ponto de partida, para que o Ocidente absorvesse o Japão e a cultura oriental, após a Segunda Guerra Mundial. Talvez nenhum artista, em qualquer meio de expressão, tenha mesclado de maneira tão harmoniosa e marcante os dois extremos do mundo. Ao mesmo tempo que era um criativo e deslumbrante contador de histórias, sabia como poucos dirigir cenas de combate e batalhas. Sem abdicar da acção, criava obras de sensibilidade e humanismo comoventes. Com Kenji Mizoguchi (1898-1958) e Yazujiro Ozu (1903-1963) formou o trio de grandes mestres do cinema clássico japonês.


O cineasta nasceu em Tóquio, de família descendente de samurais, os guerreiros que tomaram o poder durante o período feudal japonês, que acabou em 1898 com a criação do exército pelo imperador Meiji, e a aprovação de um código civil que acabava com a disputa de terras pela força. Kurosawa em criança, aprendeu Kendo, luta de espadas tradicional do país, e interessou-se pelas artes. Leu Tolstoi, Dostoievski e Shakespeare.O curioso é que, a sua vocação inicial era a pintura, desviada para o cinema devido a um anúncio de emprego que respondeu, e o fez terceiro-assistente de direcção. A sua primeiro longa-metragem como director, Sugata Sanshiro, é de 1943. Depois de uma breve fase realista, o cineasta chegou à etapa seguinte da sua trajectória, aquela que traria a consagração fora do Japão. Kurosawa revolucionou o género “jidai-geki” – filmes históricos de samurai –, inicialmente com Rashomon, obra que narra a história de um crime acontecido no século 12, utilizando quatro diferentes pontos de vista. Em 1950 venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza e colocou o seu país na vanguarda mundial. Seja num legítimo “faroeste japonês” como Os Sete Samurais (1954) – cujo roteiro cabia tão bem no Velho Oeste norte-americano, ou em adaptações de Shakespeare, como por exemplo o espectacular Ran (1985), que adopta a história de Rei Lear, todo o seu cinema é brilhante. Em 1990, com um Leão de Ouro, uma Palma de Ouro e dois Oscar de filme estrangeiro no currículo, Kurosawa recebeu um Oscar honorário. Fez os seus derradeiros filmes aprofundando o clima intimista e a ponte com o Ocidente. O seu último trabalho foi Madadyo, de 1993. Morreu no dia 6 de Setembro de 1998. Hoje, o seu nome é incluído entre os dos dez maiores cineastas da história da arte cinematográfica.

segunda-feira, 22 de março de 2010

OPERETA O MORCEGO

Johann Strauss, dito II, foi um grande compositor austríaco da Era Romântica, famoso por ter escrito mais de 500 Valsas, polkas, marchas, e quadrilhas. Conhecido como "O Rei da Valsa", como The Blue Danube (O Danúbio Azul), Wein Weib und Gesang, Tales from the Vienna Woods, Tritsch-Tratsch-Polka, o Kaiser-Walzer, e da opereta Die Fledermaus (o Morcego).

SERÁ DE JOSÉ RÉGIO?

SONETO

Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.
-
Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.
-
E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,
-
Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.
José Régio
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Soneto (quase inédito), escrito em 1969 no dia de uma reunião de antigos alunos.
Tão actual em 1969, como hoje.. depois ainda dizem que a tradição não é o que era!!!

domingo, 21 de março de 2010

PRIMAVERA E POESIA...

PAPOILAS - CLAUDE MONET
DE TARDE
Naquele pique-nique de burguesas
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas
Em todo o caso dava uma aguarela.
-
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
-
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos
E pão-de-ló molhado em Malvasia.
-
Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas.
Cesário Verde

sexta-feira, 19 de março de 2010

PEC

PEC, medidas fortemente penalizadoras da já exaurida classe média, o aumento da carga fiscal das famílias, com a redução de subsídios sociais, a venda de património público, igual a empobrecimento da sociedade e ao empobrecimento do Estado…lá foram as promessas legislativas…e para quê? Para diminuir 3% o défice até 2013. Os sacrifícios dos portugueses são para pagar dívidas, não é para investir, nem para criar riqueza!?...

quinta-feira, 18 de março de 2010

FOME & FARTURA


Nestes dias de (diz-se) crise, e em que nunca como hoje um Governo conjugou tantas vezes o verbo diminuir (diminuir o Rendimento Mínimo, diminuir o subsídio desemprego, diminuir o Complemento Solidário para Idosos, diminuir os apoios aos deficientes, diminuir as pensões, diminuir os salários, diminuir as deduções com a saúde e educação...), é reconfortante saber que alguma coisa cresce, e não apenas a revolta e os lucros da banca e das "empresas do regime".
Congratulemo-nos, pois, por os gestores da PT terem, em 2009, recebido 7 milhões em salários e "prémios" e por, desses 7 milhões, 1,533 terem cabido ao meritório "boy" Rui Pedro Soares (que bem os mereceu pelo esforço com que se terá dedicado a levar a TVI ao bom caminho). E por também a REN ter contemplado outro dos arguidos da "Face oculta", José Penedos, com 243 750 euros de "bónus", mais um salário de quase 27 mil euros por mês, o que dá qualquer coisa como meio milhão e picos. Com efeito, como profetizou há meio século Cesariny, "afinal o que importa não é haver gente com fome/porque assim como assim ainda há muita gente que come".

segunda-feira, 15 de março de 2010

FERNANDO NOBRE

FERNANDO NOBRE- Conhecedor como poucos dos males do planeta, o fundador da ASSISTÊNCIA MÉDICA INTERNACIONAL (AMI), correu mundo a curar doenças e a ajudar vítimas de terramotos, erupções vulcânicas, guerras civis. Aos 58 anos abraça outra causa. Não há mortos nem feridos, nem crianças subnutridas de barriga dilatada pela fome, mas sim «um povo triste e resignado com os políticos que teve ao longo dos últimos anos» ao qual se propõe «ajudar a devolver a esperança em si próprio, no seu destino e no país. Quer ser Presidente da República.


«Já me caíram balas de morteiro ao lado, já escapei de tiroteios, já vi morrer muita gente…não tenho grandes medos na vida e quando me meto em alguma coisa vou sempre até ao fim!»
«Hoje em dia, no nosso país, quem utiliza a palavra pátria, quem canta o hino nacional, quem se emociona quando o ouve, quase que parece um reaccionário. Para mim não é assim, porque eu fui educado nesses valores intemporais».
«Eu tenho amigos em todos os quadrantes políticos: consigo ver qualidades, boas ideias, em todas as ideologias. Não tentem empurrar-me para o campo dos partidos porque eu não vou».


SOBRE A FACE OCULTA: «Sou um cidadão que tem lido o que sai nos jornais, o que nem sempre é a verdade e podem ser apenas meias-verdades. Acho é que o senhor primeiro-ministro, que é uma pessoa muito frontal, tem de dizer ao país tudo aquilo que pensa. Se fosse Presidente chamaria o procurador-geral e o presidente do Supremo Tribunal da Justiça e ter-lhes-ia falado olhos bem nos olhos».

SOBRE DURÃO BARROSO: «Achava-o capaz e competente para o país mas mudei de opinião depois de ele ter abandonado o cargo, senti-me traído enquanto cidadão. Nunca aceitei, não aceito nem nunca vou aceitar que a pessoa que objectivamente apoiei para primeiro-ministro do meu país o tenha abandonado como ele o fez».

DUAS OPINIÕES SOBRE A SUA CANDIDATURA:

JOEL NETO, chama-lhe o «candidato pop»: Aquilo que Fernando Nobre consegue com esta candidatura, destinada quando muito a aproveitar a publicidade gratuita e a posicionar-se no caminho do Nobel, é provar-nos que não há melhor mercado, hoje em dia, do que o mercado da boa vontade.

MEGA FERREIRA:
Fernando Nobre como nunca foi político está preservado dos efeitos perversos da mediatização. Ele vem do silêncio para arbitrar algum bom senso na vertigem cacofónica em que se converteu a democracia pluripartidária em que vivemos. E não vale a pena pretender desqualificá-lo colando-lhe o rótulo de «populista»: esse é um argumento interessante junto de algum eleitorado urbano; mas não diz rigorosamente nada a milhões de portugueses que se espalham pelo território nacional.

domingo, 14 de março de 2010

QUER RIR OU CHORAR? EU PREFIRO RIR!...



Está explicado...

"Um dia decidi sair do trabalho mais cedo e fui jogar golfe! Quando estava a escolher o taco, notei que havia uma rã perto dele. A rã disse:

- Croc-croc! Taco de ferro, número nove!

Eu achei graça e resolvi provar que a rã estava errada. Peguei no taco que ela sugeriu e bati na bola. Para minha surpresa a bola parou a um metro do buraco!- Uau!!! - gritei eu, virando-me para a rã - Será que tu és a minha rã da sorte? Então resolvi levá-la comigo até ao buraco.


- O que achas, rã da sorte?- Croc-croc! Taco de madeira, número três!

Peguei no taco 3 e bati. Tau! Em cheio no buraco! Daí em diante acertei todas as tacadas e acabei fazendo a maior pontuação da minha vida! Resolvi levar a rã pra casa e, no caminho, ela disse:

- Croc-croc! Las Vegas!

Mudei o caminho e fui logo para o aeroporto! Nem avisei a minha mulher! Chegando a Las Vegas a rã disse:

- Croc-croc! Casino, roleta!

Evidentemente, obedeci à rã, que logo sugeriu:

- Croc-croc! 10 mil dólares, preto 21, três vezes seguidas.

Era uma loucura fazer aquela aposta, mas não hesitei. A rã já tinha credibilidade. Coloquei todas as minhas fichas no 21! Ganhei milhões! Peguei em todo o dinheiro e fui para a recepção do hotel, onde exigi uma suite presidencial.
Tirei a rã do bolso, coloquei-a sobre os lençóis de cetim e disse:

- Minha rãzinha querida! Nem sei como te pagar todos estes favores! Tu fizeste-me ganhar tanto dinheiro que te serei grato para sempre! E a rã replicou:

- Croc-croc! Dá-me um beijo! Mas tem que ser na boca!

Tive um pouco de nojo, mas pensei em tudo que ela me fez e acabei por lhe dar o beijo na boca!
No momento que eu beijei a rã, ela transformou-se numa linda moça de 18 anos, completamente nua, sentada sobre mim...

Eu juro - disse o ex-Presidente do BPN ao Presidente da Comissão de Ética - foi assim que consegui a minha fortuna e que aquela menina foi parar ao meu quarto!...
Não só o Presidente da Comissão de Ética acreditou, como também, todos os Deputados e todos os membros do Supremo Tribunal de Justiça!...

quinta-feira, 11 de março de 2010

JOAN BAEZ

KATHRYN BIGELOW - FARRAH FAWCETT

NUMA FESTA DO CINEMA COM PROPOSTAS POBRES, PELA PRIMEIRA VEZ UMA MULHER, GANHOU UM ÓSCAR COMO REALIZADORA, EMBORA OUTRAS JÁ O DEVIAM TER GANHO, LEMBRO POR EXEMPLO: SOFHIA COPPOLA E JANE CHAMPION.

RYAN O´NEIL SENTIU-SE DESOLADO, PELO GRANDE AMOR DA SUA VIDA, FARRAH FAWCETT, QUE NO ANO PASSADO, MORREU DE CANCRO, NÃO TER SIDO LEMBRADA. A ACADEMIA GERALMENTE RESERVA UM ESPAÇO PARA LEMBRAR AS FIGURAS JÁ DESAPARECIDAS

terça-feira, 9 de março de 2010

INFERNO -AUTOR ANÓNIMO

Este quadro, encontra-se no MUSEU DE ARTE ANTIGA em Lisboa e no mesmo segundo uma leitura de Dagoberto Marques, está presente o Diabo, como se fosse um índio e todas as outras figuras, representam os sete pecados mortais, de um lado: soberba, avareza, gula, ira
ao meio , luxúria (pecado principal) adultério, homo feminino e masculino, do outro lado inveja, e preguiça.
Não conhecia em pormenor o quadro e fiquei a conhece-lo num debate televisivo onde se questionava a imaginação e invenção do artista e se a arte é um exorcismo dos medos.



[Para complemento, é de lembrar que actualmente existem mais pecados: pedofilia, aborto, poluição do ambiente, pobreza extrema de uns e riqueza escandalosa de outros, tráfico de droga e realização de experiências de manipulação genética. Quem os cometer, é certo e sabido, vai para o inferno, penando lá o que fez por cá!...
Já não bastava os sete tradicionais, que foram estabelecido pelo Papa Gregório I no remoto século VI, agra são 13! A que convém somar mais dez coisas a não fazer, os Dez Mandamentos, que em matéria de costumes são particularmente incisivos.]

segunda-feira, 8 de março de 2010

NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER...POESIA

Ideal

Aquela, que eu adoro, não é feita
De lírios nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas languidas, divinas
Da antiga Vénus de cintura estreita...
Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortaes entre ruinas,
Nem a Amazona, que se agarra ás crinas
D'um corcel e combate satisfeita...
A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino...
É como uma miragem, que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do Desejo...
Antero de Quental, in "Sonetos"


A Mulher Inspiradora
Mulher, não é só obra de Deus;
os homens vão-te criando eternamente
com a formosura dos seus corações,
e os seus anseios
vestiram de glória a tua juventude.
Por ti o poeta vai tecendo a sua
imaginária tela de oiro:
o pintor dá às tuas formas,
dia após dia,
nova imortalidade.
Para te adornar, para te vestir,
para tornar-te mais preciosa,
o mar traz as suas pérolas,
a terra o seu oiro,
sua flor os jardins do Verão.
Mulher, és meio mulher,
meio sonho.
Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera" Tradução de Manuel Simões

domingo, 7 de março de 2010

FARMVILLE


Tenho tido um problema muito sério em minha casa!...Tem tudo a ver com a «quinta» da minha filha, a dedicação é total!?...Vem a correr vem para casa regar as couves, vender flores, dar de comer aos animais, fazer novas aquisições...Logo que acorda lá vai ela para a quinta, não vem comer quando deve ser, porque está na quinta!...A quinta ocupa-lhe todo o tempo!...Pelos vistos agora muita gente se sente «realizada» na quinta FARMVILLE!...Eu até nem compreendo nada disso, não nasci para ter uma quinta e trabalho com estas coisas, quanto menos melhor!...

sexta-feira, 5 de março de 2010

OS PROVINCIANOS- FACE OCULTA

O PROCESSO chamado 'Face Oculta' tem as suas raízes longínquas num fenómeno que podemos designar por 'deslumbramento'.Muitos dos envolvidos no caso, a começar por Armando Vara, são pessoas nascidas na Província que vieram para Lisboa, ascenderam a cargos políticos de relevo e se deslumbraram.Deslumbraram-se, para começar, com o poder em si próprio. Com o facto de mandarem, com os cargos que podiam distribuir pelos amigos, com a subserviência de muitos subordinados, com as mordomias, com os carros pretos de luxo, com os chauffeurs, com os salões, com os novos conhecimentos. Deslumbraram-se, depois, com a cidade. Com a dimensão da cidade, com o luxo da cidade, com as luzes da cidade, com os divertimentos da cidade, com as mulheres da cidade.ORA, para homens que até aí tinham vivido sempre na Província, que até aí tinham uma existência obscura, limitada, ligados às estruturas partidárias locais, este salto simultâneo para o poder político e para a cidade representou um cocktail explosivo.As suas vidas mudaram por completo.Para eles, tudo era novo - tudo era deslumbrante.Era verdadeiramente um conto de fadas - só que aqui o príncipe encantado não era um jovem vestido de cetim mas o poder e aquilo que ele proporcionava. Não é difícil perceber que quem viveu esse sonho se tenha deixado perturbar.CURIOSAMENTE, várias pessoas ligadas a este processo 'Face Oculta' (e também ao 'caso Freeport') entraram na política pela mão de António Guterres, integrando os seus Governos.Armando Vara começou por ser secretário de Estado da Administração Interna, José Sócrates foi secretário de Estado do Ambiente, José Penedos foi secretário de Estado da Defesa e da Energia, Rui Gonçalves foi secretário de Estado do Ambiente.Todos eles tiveram um percurso idêntico.E alguns, como Vara e Sócrates, pareciam irmãos siameses: Naturais de Trás-os-Montes, vieram para o poder em Lisboa, inscreveram-se na universidade, licenciaram-se, frequentaram mestrados. Sentindo-se talvez estranhos na capital, procuraram o reconhecimento da instituição universitária como uma forma de afirmação pessoal e de legitimação do estatuto.A QUESTÃO que agora se põe é a seguinte: por que razão estas pessoas apareceram todas na política ao mais alto nível pela mão de António Guterres?A explicação pode estar na mudança de agulha que Guterres levou a cabo no Partido Socialista.Guterres queria um PS menos ideológico, um PS mais pragmático, mais terra-a-terra.Ora estes homens tinham essas qualidades: eram despachados, pragmáticos, activos, desenrascados. E isso proporcionou-lhes uma ascensão constante nos meandros do poder.Só que, a par dessas inegáveis qualidades, tinham também defeitos. Alguns eram atrevidos em excesso.E esse atrevimento foi potenciado pelo tal deslumbramento da cidade e pela ascensão meteórica.QUANDO o PS perdeu o poder, estes homens ficaram momentaneamente desocupados.Mas, quando o recuperaram, quiseram ocupá-lo a sério.Montaram uma rede para tomar o Estado.José Sócrates ficou no topo, como primeiro-ministro, Armando Vara tornou-se o homem forte do banco do Estado - a CGD -, com ligação directa ao primeiro-ministro, José Penedos tornou-se presidente da Rede Eléctrica Nacional, etc.Ou seja, alguns secretários de Estado do tempo de Guterres, aqueles homens vindos da Província e deslumbrados com Lisboa, eram agora senhores do país.MAS, para isso ser efectivo, perceberam que havia uma questão decisiva: o controlo da comunicação social.Obstinaram-se, assim, nessa cruzada.A RTP não constituía preocupação, pois sendo dependente do Governo nunca se portaria muito mal.Os privados acabaram por ser as primeiras vítimas.O Diário Económico, que estava fora de controlo e era consumido pelas elites, mudou de mãos e foi domesticado.O SOL foi objecto de chantagem e de uma tentativa de estrangulamento através do BCP (liderado em boa parte por Armando Vara).A TVI, depois de uma tentativa falhada de compra por parte da PT, foi objecto de uma 'OPA', que determinou a saída de José Eduardo Moniz e o afastamento dos ecrãs de Manuela Moura Guedes.O director do Público foi atacado em público por Sócrates - e, apesar da tão propalada independência do patrão Belmiro de Azevedo, acabou por ser substituído.A Controlinvest, de Joaquim Oliveira (que detém o JN, o DN, o 24 Horas, a TSF) está financeiramente dependente do BCP, que por sua vez depende do Governo.SUCEDE que, na sua ascensão política, social e económica, no seu deslumbramento, algumas destas pessoas de quem temos vindo a falar foram deixando rabos de palha.É quase inevitável que assim aconteça.O caso da Universidade Independente, o Freeport, agora o 'Face Oculta', são exemplos disso - e exemplos importantes da rede de interesses que foi sendo montada para preservar o poder, obter financiamentos partidários e promover a ascensão social e o enriquecimento de alguns dos seus membros. É isso que agora a Justiça está a tentar desmontar: essa rede de interesses criada por esse grupo em que se incluem vários "boys" de Guterres.Consegui-lo-á?Não deixa de ser triste, entretanto, ver como está a acabar esta história para alguns senhores que um dia se deslumbraram com a grande cidade. Esta é a forma mais eloquente de definir um parolo provinciano com tiques de malandro ,,,mas sempre de mão estendida ,,pior que os arrumadores que uma vez na vida se revelam minimamente úteis independentemente do ar miserável como se apresentam e se comportam quando não se lhes dá a famigerada moedinha .
José António Saraiva

quarta-feira, 3 de março de 2010

A FÁBULA DO PORCO ESPINHO...






Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos.Por isso decidiram se afastar uns dos outros e começaram de novo a morrer congelados.Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros. Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. E assim sobreviveram. Moral da História O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e admirar suas qualidades.

Um conselho...Nunca te justifiques... os amigos não precisam e os inimigos não acreditam.

terça-feira, 2 de março de 2010

FELICIDADE

No livro, Tropeçando na Felicidade, Daniel Gilbert, escreve que as pessoas depois do dia mais feliz da sua vida, o casamento, só voltam a ser felizes quando os filhos saem de casa. O que me parece um grande disparate e bastante ultrapassado, nos tempos em que vivemos. Não sou consumidora de livros de entreajuda, porque considera que não há receita aplicável especificamente a uma pessoa e depois mesmo que se adopte algumas das receitas, é difícil cumpri-las. Cada pessoa terá a sua receita ou improvisa no momento. Esta questão da felicidade…para uns pode ser uma coisa mínima, para outros «tem que ser» uma coisa máxima! Felicidade pode ser um logro, porque muitas vezes o que nos faz feliz, em pouco tempo pode-nos fazer infeliz!... Com certeza, só quando deixamos de andar à procura de ser felizes é que somos felizes!... Possivelmente estamos felizes e não sabemos!... Pensamos sempre que fomos felizes ontem e que nunca somos felizes hoje!... Também podemos pensar que seremos felizes no futuro…Felicidade é um conceito muito subjectivo!...

FELICIDADE
Se estou só, quero não estar,
Se não estou, quero estar só,
Enfim, quero sempre estar
Da maneira que não estou.

Ser feliz é ser aquele.
E aquele não é feliz,
Porque pensa dentro dele
E não dentro do que eu quis.

A gente faz o que quer
Daquilo que não é nada,
Mas falha se o não fizer,
Fica perdido na estrada.