«Vocês sabem o que significa amar a humanidade? Significa apenas isto: estar satisfeito consigo mesmo. Quando alguém está satisfeito consigo mesmo, ama a humanidade. » Pirandello

terça-feira, 31 de março de 2009

ULISSES E FINNEGANS WAKE DE JAMES JOYCE

ULISSES - 1922 foi um ano fundamental na história do modernismo na literatura de língua inglesa, com a publicação tanto de Ulisses, como do poema The Waste Land, de T. S. Eliot. No seu romance, Joyce utiliza-se do fluxo de consciência, da paródia, de piadas e virtualmente todas as demais técnicas literárias para apresentar os seus personagens. A acção do livro, que se desenrola em um único dia, 16 de Junho de 1904, situa os personagens e incidentes da Odisseia de Homero na Dublin moderna e representa Ulisses, Penélope e Telêmaco em Leopold Bloom, sua esposa Molly Bloom e Stephen Dedalus, cujos caracteres contrastam com seus altivos modelos, parodiando-os. O livro explora diversas áreas da vida em Dublin, estendendo-se sobre sua degradação e monotonia. Ainda assim, o livro também é um estudo afeiçoadamente detalhado sobre a cidade e Joyce afirmava que se Dublin fosse destruída por alguma catástrofe, poderia ser reconstruída tijolo por tijolo, usando como modelo a sua obra. Para atingir este nível de precisão, Joyce usou uma uma obra que listava os proprietários e/ou possuidores de cada imóvel residencial ou comercial da cidade, assim como perguntava aos amigos que ainda viviam na cidade, pedidos de informação e esclarecimentos.
O livro consiste em dezoito capítulos, cada um cobrindo aproximadamente uma hora do dia, começando por volta das 8 da manhã e terminando após as 2 da madrugada. Cada um dos dezoito capítulos tem seu próprio estilo literário. Cada um deles também se refere a um episódio específico da Odisseia de Homero e tem associado a si uma cor, arte ou ciência e órgão do corpo humano. Esta combinação de escrita caleidoscópica com uma estrutura extremamente formal e esquemática é uma das maiores contribuições do livro para o desenvolvimento da literatura modernista do século XX. Outras são uso da mitologia clássica, como a armação para a construção do livro e o foco quase obsessivo nos detalhes exteriores, em que muito da acção relevante ocorre dentro das mentes dos personagens. Ainda assim, Joyce queixou-se: "talvez eu tenha super sistematizado Ulisses," e minimizado as correspondências míticas pela eliminação dos títulos dos capítulos, emprestados a Homero.


FINNEGANS WAKE
Ao que parece, tendo terminado Ulisses, Joyce sofreu um período de bloqueio criativo. Em 1923 começou a trabalhar num texto que seria conhecido, inicialmente, como Work in Progress ("Obra em andamento") e depois Finnegans Wake. Em 1926 as duas primeiras partes do livro estavam completas. Por alguns anos, Joyce progrediu com rapidez, mas na década de 1930, desacelerou consideravelmente. Isso deveu-se a uma série de factores, incluindo a morte de seu pai, preocupação com a saúde mental de sua filha Lucia e os seus próprios problemas de saúde, incluindo a visão que ia diminuindo. Boa parte do trabalho era feito então com a ajuda de jovens admiradores, entre eles Samuel Beckett.Na festa de seus 57 anos, Joyce revelou o título final da obra e em 4 de maio o Finnegans Wake foi publicado como livro.
O método joyceano dos fluxos de consciência, alusões literárias e livres associações oníricas foi levado até o limite em Finnegans Wake, que abandonou todas as convenções de construção de enredo e personagem e é escrito numa linguagem peculiar e árdua, baseada principalmente em complexos trocadilhos de múltiplos níveis. Esta abordagem é similar à usada por Lewis Carroll em "Jabberwocky", mas muito mais extensa. Se Ulisses é um dia na vida de uma cidade, o Wake é uma noite e compartilha da lógica dos sonhos. Além do uso frequente de neologismos e arcaísmos, muito do jogo de palavras do livro enraíza-se no uso de trocadilhos multilínguas que conectam uma gama de idiomas. O papel de Beckett e de outros assistentes, era incluiu palavras de outros idiomas em cartões para Joyce usar e à medida em que a visão do autor piorava, escrever o texto, enquanto ele ditava.
A visão de história proposta neste texto sofreu a influência muito forte de Giambattista Vico, e a metafísica de Giordano Bruno, é importante para as inter relações dos "personagens". Vico propunha uma visão cíclica da história, na qual a civilização se erguia do caos, passava por fases teocráticas, aristocráticas e democráticas e retornava novamente ao caos. O exemplo mais óbvio da influência da filosofia cíclica da história de Vico, encontra-se nas sentenças de abertura e fecho do livro. Finnegans Wake, a primeira sentença começa na última página e a última sentença na primeira, tornando o livro um grande ciclo. Inclusive, Joyce disse que o leitor ideal do Finnicius sofreria de uma "insónia ideal" e ao completar o livro, retornaria à página um e começaria novamente, e assim por diante num ciclo infinito de releituras.


A obra de Joyce foi submetida a pesquisas intensas por estudiosos de todos os tipos, e ele é um dos autores mais notáveis do século XX. Também foi uma influência importante para outros autores e também se fez sentir em campos alheios à literatura.

JAMES JOYCE (DUBLIN 1882 - ZURIQUE 1941)

James Augustine Aloysius Joyce, era o mais velho de dez filhos, James Joyce nasceu numa abastada família católica, em Dublin. A família do seu pai, proveniente de Cork, era de ricos comerciantes, mas passado 10 anos o pai foi à falência e tornou-se um alcoólico. James estudou em instituições religiosas uma oferta dos jesuítas , na esperança que James tivesse vocação e se juntaria à Companhia de Jesus, mas Joyce, rejeitou o catolicismo aos dezasseis, embora a filosofia de Tomás de Aquino permanecesse como uma de suas fortes influências por toda a sua vida. Matriculou-se na Universidade e estudou línguas modernas, especificamente inglês, francês e italiano e envolveu-se nos círculos literários e teatrais, publicando alguns artigos e escrevendo peças, que se perderam.
Joyce foi para Paris em 1902, para estudar medicina (na época, havia também um efervescente movimento artístico em Montparnasse e Montmartre). Em 1903, retornou à Irlanda, pois a sua mãe morria de câncer. Procurou manter-se como jornalista e professor particular e escreveu, Um Retrato do Artista, um ensaio-narrativa sobre estética, mas a obra foi recusada. A seguir publicou a sátira desaforada, O Santo Ofício, na qual se proclamava superior a muitos membros proeminentes da Renascença Céltica e afirma a sua herança linguística inglesa.
Ainda em 1904 ele conheceu Nora Barnacle, uma jovem do Condado de Galway, que trabalhava como camareira e viria a ser a sua companheira de toda a vida. Joyce escolheu o dia 16 de Junho, para ser imortalizado com a sua obra, Ulisses, porque foi nesse dia em que fez sexo pela primeira vez com Nora, à época uma jovem virgem de vinte anos, apesar de a imprensa irlandesa publicar que nesse dia eles "caminharam juntos" pela primeira vez. Na verdade, Nora teve medo de completar o coito e o masturbou "com os olhos de uma santa", como Joyce relatou em uma carta em que relembrou o acontecido.
Joyce ainda permaneceu em Dublin por um tempo, bebendo bastante e morou com um estudante de medicina, mas depois zangaram-se num bordel e envolveram-se numa briga. James foi resgatado, por um amigo do pai, que será o modelo para Leopold Bloom, o herói de Ulisses.
Pouco depois, foge com Nora. O casal parte em exílio auto-imposto, indo primeiro para Pula (hoje na Croácia) e depois Trieste (Itália), ambas então na Áustria-Hungria, para ensinar inglês na escola Berlitz. Joyce passou a maior parte das décadas seguintes no Continente. Aí nasceriam seus filhos Giorgio (1905) e Lucia (1907).
Joyce publicou, em 1907, Música de Câmara (Chamber Music) (baptizada, segundo ele afirmou, a partir do som de urina num penico) uma antologia de 36 poemas líricos curtos. A obra, inspirada na poesia do período elisabetano, foi incluída na Antologia Imagista, editada por Ezra Pound, que mostraria ser como um defensor de Joyce por mais de uma década.
Em visitas a Dublin, abriu o primeiro cinema da cidade, mas fracassou; depois, desentende-se com um editor sobre sua nova obra, e publica contra ele, no mesmo ano,
Gás de um Bico (Gas from a Burner).
A obra que Joyce queria fazer sair em sua cidade natal era uma série de quinze contos sobre a cidade e a vida de seus habitantes. Os contos são uma análise penetrante da estagnação e paralisia da sociedade de Dublin. Incorporam epifanias, uma palavra usada particularmente por Joyce, que para ele significava uma súbita consciência da "alma" de algo.
Apesar de seu interesse por teatro desde a juventude, Joyce publicou apenas uma peça, Exilados, iniciada em Trieste, logo após a erupção da Primeira Guerra Mundial. Um estudo da relação marido-mulher, a peça conecta-se com a obra anterior, "Os Mortos" (o último conto de Gente de Dublin) e com a posterior, Ulisses.
Começada a guerra, a permanência dos Joyce em território austro-húngaro torna-se impossível, já que eram cidadãos britânicos, portanto, inimigos. Assim, Joyce e Nora mudam-se para a neutra Suíça e estabelecem-se em Zurique.
Eventos importantes da primeira estadia suíça de Joyce são: a publicação de Exilados, a continuidade da composição de Ulisses, a primeira crise de iridite, que iria piorando a sua visão ao longo das décadas, e a publicação de seu primeiro romance, Retrato do Artista Quando Jovem. O Retrato é uma recriação completa do romance abandonado "Stephen Herói". Autobiográfico em larga medida, o romance mostra a obtenção de maturidade e auto-consciência de um jovem inteligente. Neste romance, é possível vislumbrar técnicas posteriores do escritor, no uso do monólogo interior e na maior preocupação com o psíquico em relação à realidade externa. Além disso, a linguagem desenvolve-se ao longo do livro, conforme o personagem cresce, amadurece e torna-se capaz de narrar o seu mundo de uma maneira mais sofisticada.
Finda a guerra, Joyce retornou a Paris onde, excepto por duas visitas à Irlanda, permaneceu pelos vinte anos seguintes. Em Paris Joyce fez diversas operações aos olhos, conclui suas duas maiores obras, obtendo amplo reconhecimento por Ulisses e reacções diversas pelo Finnegans Wake, e tornou-se uma referência para os modernistas de língua inglesa, especialmente jovens irlandeses como Samuel Beckett. É também durante este período, que James e Nora se casam, em Londres. Joyce publicou, o seu segundo livro de poesia, Poemas, um Tostão Cada. Escreve também, Ecce Puer, sobre dois eventos próximos, a morte de seu pai e o nascimento do seu neto. Publica-os, juntamente com a demais obra poética, em Collected Poems (Poesia reunida), em 1936.
Graças a Ezra Pound, trechos do romance, Ulisses, começaram a ser publicados, mas houve problemas com a censura norte-americana e os editores foram condenados por publicar obscenidades, o que interrompeu a publicação serial do romance. O livro permaneceu proibido nos EUA até 1933. As publicações em França e Inglaterra também tiveram problemas e foram confiscadas.
Com a erupção da Segunda Guerra Mundial, Joyce teve de deixar Paris e por fim voltou a Zurique, quase cego, em 1940. No começo do ano seguinte, morreu de úlcera duodenal perfurada e peritonite generalizada, durante uma operação para salvar a sua vida . Está enterrado no Cemitério de Fluntern, naquela cidade, junto com Nora.
Celebra-se anualmente a vida de Joyce no dia 16 de Junho, o Bloomsday, em Dublin e num número cada vez maior de cidades ao redor do mundo.

ABEL SALAZAR

Nasceu em Guimarães em 1889 e morreu em Lisboa em 1946. Foi médico, professor, investigador e pintor e foi ainda um resistente ao regime salazarista, o que lhe valeu a demissão de todos os seus cargos em 1935. É de realçar a sua valiosa investigação relativa à estrutura e evolução do ovário.





segunda-feira, 30 de março de 2009

CARUSO - UNA FURTIVA LACRIMA

ENRICO CARUSO (NÁPOLES-1873-1921)

Grande tenor italiano, considerado inclusive, pelo ilustre Luciano Pavarotti, como o maior intérprete da música erudita, de todos os tempos.
Começou a carreira em 1894, com 21 anos de idade, na cidade natal. Atuou, entre outras óperas, na estreia de Fedora e La Fanciulla del West, do compositor italiano Giacomo Puccini. As mais famosas interpretações foram nas ópera I Pagliacci, de Leoncavallo e em Aida, de Giuseppe Verdi. Em 1910 já era conhecido internacionalmente e assiduamente pelo Metropolitan de Nova Iorque. Caruso foi eternizado pelo agudo mais potente já conhecido, e por muitos considerado o melhor cantor de ópera de todos os tempos.
O compositor lírico Giacomo Puccini e o compositor de canções populares Paolo Tosti, foram seus amigos e compuseram obras especialmente para ele. Caruso foi também conhecido pelo seus trabalhos como caricaturista.
Caruso foi um dos primeiros cantores a gravar discos em grande escala. O repertório de Caruso incluía cerca de sessenta óperas, a maioria delas em italiano, embora ele tenha cantado também em francês, inglês, espanhol e latim, além do dialecto napolitano, das canções populares de sua terra natal. Cantou perto de 500 canções, que variaram das tradicionais italianas até as canções populares do momento.
A sua vida foi tema de um filme norte-americano, intitulado O Grande Caruso (The Great Caruso), com o cantor lírico Mario Lanza, interpretando Caruso. Devido ao seu conteúdo altamente ficcional, o filme foi proibido na Itália.

ENRICO CARUSO (NÁPOLES-1873-1921)


tenor italiano, considerado, inclusive pelo ilustre Luciano Pavarotti, o maior intérprete da música erudita de todos os tempos.
Começou a carreira em 1894, aos 21 anos de idade, na cidade natal. Recebeu as primeiras aulas de canto de Guglielmo Vergine. Atuou, entre outras óperas, na estréia de Fedora e La Fanciulla del West, do compositor italiano Giacomo Puccini. As mais famosas interpretações foram como Canio na ópera I Pagliacci, de Leoncavallo e como Radamés, em Aida, de Giuseppe Verdi. Na metade da década de 1910 já era conhecido internacionalmente. Era constantemente contratado pelo Metropolitan de Nova Iorque, relação que persistiu até 1920. Caruso foi eternizado pelo agudo mais potente já conhecido, e por muitos considerado o melhor cantor de ópera de todos os tempos.
O compositor lírico Giacomo Puccini e o compositor de canções populares Paolo Tosti foram seus amigos e compuseram obras especialmente para ele. Caruso foi também conhecido por seus trabalhos como caricaturista.
Caruso apostou na nova tecnologia de gravação de som em discos de cera e fez as primeiras 20 gravações em Milão, em 1895. Em 1903, foi para Nova Iorque e, no mesmo ano, deu início a gravações fonográficas pela Victor Talking Machine Company, antecessora da RCA-Victor. Caruso foi um dos primeiros cantores a gravar discos em grande escala. A indústria fonográfica e o cantor tiveram uma estreita relação, que ajudou a promover comercialmente a ambos, nas duas primeiras décadas do século XX. Suas gravações foram recuperadas e, remasterizadas, encontraram o meio moderno e duradouro de divulgação de sua arte no disco compacto, CD.
O repertório de Caruso incluía cerca de sessenta óperas, a maioria delas em italiano, embora ele tenha cantado também em francês, inglês, espanhol e latim, além do dialeto napolitano, das canções populares de sua terra natal. Cantou perto de 500 canções, que variaram das tradicionais italianas até as canções populares do momento.
Sua vida foi tema de um filme norte-americano, permeado de ficção, intitulado O Grande Caruso (The Great Caruso), de 1951, com o cantor lírico Mario Lanza interpretando Caruso. Devido ao seu conteúdo altamente ficcional, o filme foi proibido na Itália.
No filme Fitzcarraldo de Werner Herzog, com Klaus Kinski no papel de Fitzcarraldo, aparece no início da projeção uma entrada de Caruso na Ópera de Manaus, no Brasil, onde Caruso de fato nunca se apresentou.

MAURICE JARRE (1924-2009)


Óscar de melhor banda sonora: em 1962 Lawrence of Arabia, em 1965 Doctor Zhivago e em 1984 A Passage to India.
Ganhou também prémios Globos de Ouro, da BAFTA, GRAMMY e ASCAP.
Maurice-Alexis Jarre, compositor francês, nascido em Lyon, morreu em Los Angeles no dia 29 de Março. Compôs para o cinema e para o teatro e também compôs ballets, concertos, óperas e cantatas. Possui uma estrela na calçada da fama em Hollywood Boulevard.
Casado 4 vezes, teve três filhos, um deles o famoso compositor de música eletrónica e teclista Jean Michel Jarre.
Lembro-me de vários filmes, para os quais compôs a banda sonora: Clube dos Poetas Mortos, Atracção Fatal, A Costa do Mosquito, A Testemunha , A Passagem para a Índia, Gorilas na Bruma, O Ano de Todos os Perigos, A Filha de Ryan, Paris já está em Chamas, Grande Prémio, Sempre aos Domingos.

JOSÉ MALHOA

Pintor, desenhador e professor. Nasceu nas Caldas da Rainha em 1855 e morreu em Figueiró dos Vinhos em 1933. Foi um pintor naturalista, mas foi o pintor português, que mais se aproximou do impressionismo. De visitar o Museu Malhôa nas Caldas da Rainha.




domingo, 29 de março de 2009

3 POEMAS DE EUGÉNIO DE ANDRADE


É difícil seleccionar poemas de Eugénio de Andrade, quando muitos me agradam. Seguem-se três dos seus poemas, exactamente dos muitos que me agradam.
As palavras
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,um incêndio.
Outras,orvalho apenas.
Secretas vêm,
cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,leves.
Tecidas são de luz e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos
lembram ainda.
Quem as escuta?
Quem as recolhe,
assim,cruéis,
desfeitas,
nas suas conchas puras?
Urgentemente
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Poema XVIII
impetuoso, o teu corpo
é como um rio
onde o meu se perde.
Se escuto, só oiço o teu rumor.
De mim, nem o sinal mais breve.
Imagem dos gestos que tracei,
irrompe puro e completo.
Por isso, rio foi o nome que lhe dei.
E nele o céu fica mais perto.

EUGÉNIO DE ANDRADE (1923-2005)


Há pouco tempo estive na terra onde nasceu o poeta Eugénio de Andrade e fiz aqui referência, é natural também que já tivesse escrito no blogue sobre este poeta, que é dos meus preferidos e que tive o gosto de conhecer pessoalmente e ouvir num dos seus recitais. Assisti também à homenagem que lhe foi feita na Biblioteca Almeida Garrett, dos seus oitenta anos de vida, encontrando-se nessa altura já hospitalizado. Foi um acontecimento vivido com grande emoção. Além disso assisti a vários recitais na Fundação Eugénio de Andrade.
A vida de Eugénio começou na Póvoa da Atalaia, filho de mãe solteira e não reconhecido pelo pai. Aos dez anos foi para Lisboa, onde estudou. Depois foi para Coimbra, fez o serviço militar e tornou-se funcionário público (Inspector Administrativo do Ministério da Saúde) durante 35 anos. Uma transferência de serviço motivou que se radicasse no Porto, onde veio a morrer em 2005.
O seu reconhecimento aconteceu em 1948 com o livro de poemas, As Mãos e os Frutos , seguindo-se dezenas de obras,
Os amantes sem dinheiro, As palavras interditas, Escrita da Terra, Matéria Solar, Rente ao dizer, Ofício da paciência, O sal da língua e Os lugares do lume.
Em prosa, publicou Os afluentes do silêncio, Rosto precário e À sombra da memória, além das histórias infantis,
História da égua branca e Aquela nuvem e as outras.
Traduziu os espanhóis, Federico Garcia Lorca, Antonio Buero Vallejo, o poeta grego clássico Safo, o poeta grego moderno Yannis Ritsos, o francês René Char e o argentino Jorge Luís Borges.
O poeta fez diversas viagens, foi convidado para participar em vários eventos e travou amizades com muitas personalidades da cultura portuguesa e estrangeira, como Joel Serrão, Miguel Torga, Afonso Duarte, Carlos Oliveira, Eduardo Lourenço, Joaquim Namorado, Sophia de Mello Breyner Andresen, Teixeira de Pascoaes, Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Mário Cesariny, José Luís Cano, Ángel Crespo, Luís Cernuda, Marguerite Yourcenar, Herberto Helder, Joaquim Manuel Magalhães, João Miguel Fernandes Jorge, Óscar Lopes, e muitos outros.
Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas, com «essa debilidade do coração que é a amizade».
Recebeu um sem número de distinções, entre as quais: o Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários (1986), Prémio D. Dinis da Fundação Casa de Mateus (1988), Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989), o Prémio Camões (2001) e o Prémio Pen Clube Português.

NNEKA

COLUMBANO

Columbano Bordalo Pinheiro (Lisboa-1857-Lisboa-1929). Pintor naturalista e realista. Irmão do caricaturista Rafael Bordalo Pinheiro. Foi professor e também director do Museu Nacional de Arte Contemporânea.




RENATA TEBALDI

RENATA TEBALDI (1922-2004)

Renata Tebaldi, foi criada pela mãe, o pai era um pai ausente. Muito cedo, interessou-se pelo canto e entrou no Conservatório Arrigo Boito. Estudou também com a soprano da Escola Verista, Carmen Melis. Em 1944, estreou-se como Elena, em Mefistofele, de Arrigo Boito. No ano seguinte interpretou dois papeis importantes: Mimì, de La Bohème, e Desdêmona, de Otello. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o Teatro alla Scala foi reaberto, e ela foi convidada por Arturo Toscanini, para cantar no concerto de abertura a preghiera (pregação) de Mosè in Egitto, de Rossini, e o Te Deum, de Verdi. A reputação de Renata Tebaldi cresceu rapidamente, e logo se tornou a maior promessa do canto na Itália. Foi nessa ocasião que surgiu o famoso apelido, La Voce d'Angelo (a voz de anjo), pelo qual Tebaldi se tornou conhecida até hoje.
Depois de ter cantado no La Scala, Tebaldi interpretou os mais variados papeis, das mais variadas óperas: Andrea Chènier, Aida, Tosca e La Traviata, além de algumas óperas wagnerianos (em italiano): Lohengrin, Os Mestres Cantores de Nuremberg, Tannhäuser. Entre 1951 e 1952, Tebaldi também resgatou algumas óperas do Bel Canto: O Sítio de Corinto e Guillerme Tell, ambas de Rossini; Olimpia e Fernand Cortez, de Spontini.
Em 1950, Tebaldi viajou com a companhia do La Scala, para cantar no Festival de Edimburgo e no famoso Covent Garden, em Londres e impressionou as plateias, com sua Desdêmona e sua interpretação no Requiem de Giuseppe Verdi. No mesmo ano, Tebaldi teve grande sucesso em San Francisco, onde cantou Desdêmona e Aida. A partir de então, a sua fama internacional alastrou-se rapidamente e ela tornou-se uma das maiores divas da nova geração.
O apogeu da carreira de Tebaldi deu-se nos anos 50 e 60. Nesse período, não só ficou famosa pelo seu timbre único e pela sua mestria nos papéis verdianos e veristas, como ficou conhecida pela rivalidade existente entre ela e Callas, Renata foi a segunda melhor soprano de todos os tempos, atrás apenas de Maria Callas.
Durante seu período de estrelato, Tebaldi teve papéis como, Leonora (La Forza del Destino), Cio-Cio-San (Madama Butterfly), Adriana Lecouvreur, (Tosca), La Wally, (Manon Lescaut) e Maddalena (Andrea Chènier). Em 1955, cantou no Metropolitan Opera, de Nova York e desde então tornou-se uma das mais ouvidas e amadas sopranos do teatro.
Em 1963, Renata Tebaldi teve que parar durante um tempo para descansar e reeducar novamente a sua voz. Voltou em 1964, com uma voz mais segura e de grande beleza, embora tenha adquirido um relativo peso, que antes não tinha e os seus agudos tenham adquirido uma qualidade relativamente estridente. No entanto, continuou a cantar com mestria total muitos de seus papéis anteriores. Devido às suas novas condições vocais, pôde adicionar ao seu repertório o dramático papel de La Gioconda, da ópera homónima de Almicare Ponchielli, com o qual obteve o maior sucesso da temporada de abertura do novo Metropolitan Opera House. Nessa nova fase da carreira, Tebaldi praticamente abandonou a Europa e passou a apresentar-se na América do Norte.
Renata Tebaldi fez sua última aparição no Metropolitan Opera em 1972. Em 1973 voltou A Itália e continuou a cantar até 1976, quando se despediu do La Scala para sempre. Após o fim da carreira, Tebaldi auxiliou vários cantores jovens, mas recusou trabalhar oficialmente como professora de canto. Durante as últimas décadas da sua vida, viveu entre Milão e San Marino. Renata Tebaldi recebeu vários prémios durante a sua vida.

sábado, 28 de março de 2009

SILVA PORTO (Porto-1850-Porto-1893)

António Carvalho da Silva, adoptou como nome Silva Porto. É considerado um dos fundadores do Naturalismo. Além de pintor foi professor nas Belas Artes em Lisboa, como mestre da paisagem.



CAMILO PESSANHA (1867-1926)



Crepuscular

Há no ambiente um murmúrio de queixume,
De desejos de amor, d'ais comprimidos...
Uma ternura esparsa de balidos,
Sente-se esmorecer como um perfume.

As madressilvas murcham nos silvados
E o aroma que exalam pelo espaço,
Tem delíquios de gozo e de cansaço,
Nervosos, femininos, delicados.

Sentem-se espasmos, agonias d'ave,
Inapreensíveis, mínimas, serenas...
--- Tenho entre as mãos as tuas mãos pequenas,
O meu olhar no teu olhar suave.

As tuas mãos tão brancas d'anemia...
Os teus olhos tão meigos de tristeza...
--- É este enlanguescer da natureza,
Este vago sofrer do fim do dia.


Voz Débil que Passas

Voz débil que passas,
Que humílima gemes
Não sei que desgraças...
Dir-se-ia que pedes.
Dir-se-ia que tremes,
Unida às paredes,
Se vens, às escuras,
Confiar-me ao ouvido
Não sei que amarguras...
Suspiras ou falas?
Porque é o gemido,
O sopro que exalas?
Dir-se-ia que rezas.
Murmuras baixinho
Não sei que tristezas...
_ Ser teu companheiro? _
Não sei o caminho.
Eu sou estrangeiro.
_ Passados amores? _
Animas-te, dizes
Não sei que terrores...
Fraquinha, deliras.
_ Projectos felizes? _
Suspiras. Expiras.

Camilo Almeida Pessanha Nasceu em Coimbra e morreu em Macau.
Em Coimbra tirou o curso de Direito e em 1894 foi para Macau, para onde foi dar aulas de Filosofia. Depois foi nomeado conservador do registo predial e mais tarde Juiz da Comarca.
Passou a sua vida praticamente em Macau, embora viesse várias vezes ao Continente, por razões de saúde, deste modo conheceu Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, grandes apreciadores da sua poesia, que publicava em várias revistas e jornais. Essas poesias foram reunidas no seu único livro, Clepsidra. Apesar da pequena dimensão da sua obra é considerado um expoente máximo do Simbolismo e um dos grandes poetas portugueses.

MARIO DEL MÓNACO - ÓPERA TOSCA

MARIO DEL MONACO (1915-1982)

Mario del Monaco, grande tenor dramático italiano.
Pertencia a uma família da classe média alta, com muitas ligações à música. Começou por estudar violino, mas vocacionalmente foi o canto a sua escolha. Estudou no Conservatório de Rossini em Pesaro, onde conheceu e cantou com Renata Tebaldi. Em 1941 casou-se com Feodorina (Rina) Filippini.
A sua estréia como profissional foi em 1940, no Teatro de Puccini em Milão, na ópera Madame Butterfly, ópera de Puccini. A sua carreira durou até 1975. O seu papel mais notável foi em Otello, ópera de Giuseppe Verdi, tendo sido inclusive, no seu funeral, enterrado com o fato de Otello. Foi também expoente nos papéis de Radamés (Aida), Chénier (Andrea Chénier), Alvaro (La Forza del Destino), Canio (I Pagliacci), Samson (Samson et Dalila), Don José (Carmen).

PORTUGAL - POEMA CORAL SINFÓNICO

A 29 de Março de 1809, mais de quatro mil pessoas, morreram afogadas no rio Douro. As tropas francesas do Marechal Soult, bombardeavam a cidade do Porto e a população na ânsia da fuga à investida da cavalaria francesa, lançou-se na Ponte das Barcas, na tentativa de alcançar a outra margem. A ponte constituída por vinte barcaças ligadas por cabos de aço, destrui-se com o peso e foi uma grande tragédia.
DIZ NO PROGRAMA: Este facto vai ser homenageado com um concerto memorável. Escrito especialmente pelo padre Ferreira dos Santos, o poema coral sinfónico é composto, sobre poemas da «Mensagem» de Fernando Pessoa, que repleta de simbolismo, revisita a mitologia do passado histórico de Portugal e o predestina à inspiração e condução do mundo ao advento do Quinto Império *(?), um império de cultura, paz e harmonia entre os povos.

Ferreira dos Santos passeava-se exuberante e vaidoso pela obra executada, uma obra megalómana, com a intervenção dos solistas, Dora Rodrigues e Marco Alves dos Santos, do recitador Prof. Júlio Couto, do Coro Portuense de Ópera, do Coro Polifónico da Lapa e mais 400 elementos de Coros do Porto e de Gaia e com duas Orquestras, a Orquestra Clássica de Espinho e a Banda Sinfónica Portuguesa, tudo regido pelo maestro Cesário Costa.
Relativamente à música não gostei, aliás as composições de Ferreira dos Santos, são sempre estruturalmente muito confusas. Relativamente ao texto, achei um absurdo, absolutamente anacrónico, a proposta era uma homenagem ao desastre da Ponte das Barcas em 1809 e a obra baseava-se nos poemas escritos por Pessoa, alusivos aos Descobrimentos, ocorridos três séculos e meio aproximadamente, antes das Invasões Francesas!?... Este espectáculo precisava de ser baseado num texto dentro daquilo que se queria homenagear.
TODO O ESPECTÁCULO FOI DECEPCIONANTE!!!!!

*Segundo aprendi o QUINTO IMPÉRIO, era para Pessoa, a união de Portugal e Espanha!

sexta-feira, 27 de março de 2009

MILAN KUNDERA


Depois de ter visto o filme «A Insustentável leveza do Ser», interessei-me pelo escritor Milan Kundera, que nasceu em Brno, Checoslováquia, em 1929.
A sua família, da classe-média, era bastante culta, o pai Ludvik Kundera, foi um pupilo do compositor Leoš Janáček e um importante musicólogo e pianista, cabeça da Academia Musical de Brno. Kundera aprendeu a tocar piano com o pai e posteriormente estudou musicologia. O autor completou a escola secundária em Brno. Estudou literatura e estética na Faculdade de Artes da Universidade Charles, mas por pouco tempo, depois transferiu-se para o curso de cinema da Academia de Artes Performáticas de Praga, onde realizou as suas primeiras leituras na produção de scrpits e direcção cinematográfica.
Em 1950, foi temporariamente forçado a interromper os estudos por razões políticas. Neste ano, ele e outro escritor checo - Jan Trefulka - foram expulsos do Partido Comunista por "actividades anti-partidárias". Trefulka descreveu o incidente num dos sues livros, Kundera usou o incidente como inspiração para o tema principal de seu romance, A Brincadeira. Em 1956, Kundera foi readmitido no Partido Comunista e em 1970, foi novamente expulso. Kundera, assim como outros artistas checos, como Václav Havel, envolveu-se na Primavera de Praga, de 1968. O período de liberalismo, foi destruído pela invasão do exercito do Pacto de Varsóvia. Kundera e Havel, tentaram acalmar a população e organizar um movimento reformista frente ao totalitarismo comunista da União Soviética, mas Kundera desistiu definitivamente, em 1975.
Foi viver para França, nacionalizando-se cidadão francês . Os seus romances geralmente tratam de escolhas e decepções. Nos seus livros é recorrente a crítica ao regime comunista e à posterior ocupação russa do seu país, quando foi exilado e teve a sua obra proibida na então Checoslováquia. Entre outros prémios, Milan Kundera recebeu, pelo conjunto da sua obra, o "Common Wealth Award" de Literatura (1981) e o "Prémio Jerusalém" (1985). A sua obra principal, "A Insustentável Leveza do Ser", teve em 1988 uma adaptação para o cinema, sob a direcção de Philip Kaufman, com Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin no elenco. Recebeu 2 indicações para o Óscar e reconhecimento mundial.
OBRA - No seu primeiro romance, "A Brincadeira", Kundera escreve quase uma sátira, sobre a natureza do totalitarismo e do período comunista. Por força das suas críticas aos soviéticos, Kundera foi para a lista negra do partido. Após ter ido para a França, Kundera escreveu, «O Livro do Riso e do Esquecimento», uma inusitada mistura de romance, contos curtos e ensaios do próprio autor, o livro ditou o tom das suas obras pós-exílio.
No ano de 1984, Kundera escreveu, «A Insustentável Leveza do Ser», o seu trabalho mais popular. O livro é como uma grande crónica acerca da frágil natureza do destino, do amor e da liberdade humana. Mostra, como uma vida é sempre um rascunho de si mesma, como nunca é vivida por inteiro, como o amor pode ser frágil e como é impossível de se repetir. A obra foi um sucesso do público e da crítica. Em 1990 Kundera escreveu «A Imortalidade». O romance é o mais "cosmopolita" até então, sem situar o enredo dentro do universo social e político da República Checa. Possui um conteúdo explicitamente filosófico e pode-se dizer que é o início de uma segunda fase da obra do autor.
Kundera reafirma publicamente, que deseja ser entendido como um romancista em termos gerais, não um escritor político. É notório que o conteúdo político foi, a partir de «A Imortalidade», substituído pela temática filosófica. O estilo de Kundera, entrelaçando digressões e ensaios filosóficos, é grandemente inspirado em Robert Musil, Henry Fielding e no
filósofo Friedrich Nietzsche.

JAIME ISIDORO (1924-2009)

Pintor do Porto, que se debruçou bastante sobre a temática da cidade, principalmente na técnica da aguarela. Também foi galerista, inicando-se com a Galeria Alvarez e depois a Galeria Dois e fundou a Bienal de Arte de Vila Nova de Cerveira.




SYRIANA

REALIZAÇÃO: STEPHEN GAGHAN
INTERPRETAÇÃO: GEORGE CLOONEY(OSCAR DE MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO), MATT DAMON, ETC...

O negócio do petróleo movimenta muito, muito dinheiro. E o dinheiro move a corrupção, dos escritórios de Houston aos salões de Washington e aos palácios do Médio Oriente - arrastando homens de negócios, príncipes, espiões, políticos, simples trabalhadores e terroristas numa complexa teia de crime.
É um «thriller», inteligente e vibrante, bombardeando o espectador com uma trama intensa. É um filme para mim inquietante, que se passa num plano de poder pronto para tudo e absolutamente desumano.

quinta-feira, 26 de março de 2009

VIEIRA DA SILVA

Maria Helena Vieira da Silva nasceu em Lisboa em 1908 e morreu em Paris em 1992. Vieira da Silva naturalizou-se francesa, depois de ficar apátrida quando casou com o pintor húngaro Arpád Szenes, que era judeu. Recebeu o Grand Prix National des Arts e tornou-se cavaleira da legião de honra francesa.





FERNANDO NAMORA (1919-1989)

OBRA
ROMANCE: As Sete Partidas do Mundo (Prémio Almeida Garrett), Fogo na Noite Escura, Casa da Malta, As Minas de S. Francisco, Retalhos da Vida de um Médico, A Noite e a Madrugada, O Trigo e o Joio, O Homem Disfarçado, Cidade Solitária, Domingo à Tarde, (Prémio José Lins do Rego), Os Clandestinos e Rio Triste.
POESIA: Relevos, Mar de Sargaços e Marketing. A sua produção poética conheceu uma antologia datada de 1959, intitulada, As Frias Madrugadas.
MEMÓRIAS, ANOTAÇÕES DE VIAGENS E CRÍTICAS: Diálogo em Setembro, Um Sino na Montanha, Os Adoradores do Sol, Estamos no Vento, A Nave de Pedra Cavalgada Cinzenta e Sentados na Relva.


Fernando Gonçalves Namora nasceu em Condeixa-a-Nova e morreu em Lisboa.Licenciou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra, carreira que exerceu na sua terra natal e nas regiões da Beira Baixa e Alentejo.
A sua obra, evoluiu no sentido do amadurecimento estético do neo-realismo, o que o levou a um caminho mais pessoal. Não desdenhando a análise social, os seus textos foram cada vez mais marcados por aspectos de pitoresco, observações naturalistas e algum existencialismo. Fernando Namora foi um escritor dotado de uma profunda capacidade de análise psicológica, a que se ligou uma linguagem de grande carga poética. Escreveu, para além de obras de poesia e romances, contos, memórias e impressões de viagem.

JOSÉ DE GUIMARÃES







JADE GOODY

Jade Goody, nasceu em Londres em 1981. Esta esteticista, tornou-se conhecida pela sua participação no programa Big Brother, onde provocou escândalo, proferindo insultos racistas, contra a actriz indiana Shilpa Shetty. Depois aceitou participar em Big Boss, a versão indiana do mesmo programa e fez visitas a bairros marginais de Nova Deli e voltou a desculpar-se pelo incidente racista. Jade Goody no decorrer do programa teve conhecimento que tinha cancro cervical e abandonou o programa voltando para Inglaterra, para ser tratada. Foi-lhe diagnosticado um cancro no colo do útero, incurável. Jade perante este diagnóstico, que lhe dava pouco tempo de vida, decidiu mediatizar a sua doença, com o objectivo de obter dinheiro, para poder garantir uma herança aos seus filhos. Este caso foi muito comentado pelos meios de comunicação social e prendeu as pessoas até à ocorrência da sua morte em Essex em 22 de Março de 2009.

quarta-feira, 25 de março de 2009

PAULA RÊGO










JÚLIO POMAR






MARCEL PROUST (1871-1922)

Valentin Louis Georges Eugène Marcel Proust - Filho de Adrien Proust, um célebre professor de medicina, e Jeanne Weil, de origem judaica. Marcel Proust nasceu numa família rica que lhe assegurou uma vida tranquila e lhe permitiu frequentar os salões da alta sociedade da época.
Após estudos no liceu Condorcet, prestou serviço militar. Devolvido à vida civil, assistiu na École Libre des Sciences Politiques aos cursos de Albert Sorel e Anatole Leroy-Beaulieu e na Sorbonne aos de Henri Bergson, cuja influência sobre a sua obra foi essencial.
Em 1900, efectuou uma viagem a Veneza e dedicou-se às questões de estética. Em 1904, publicou várias traduções do crítico de arte inglesa, John Ruskin. Paralelamente escreveu artigos que relatam a vida mundana e que foram publicados nos grandes jornais. Escreveu Jean Santeuil, um grande romance que ficou inacabado e continua inédito. Publicou, Os Prazeres e os Dias (Les Plaisirs et les Jours), uma reunião de contos e poemas.
Após a morte dos seus pais, a sua saúde já frágil deteriorou-se. Passou a viver recluso e a esgotar-se no trabalho. A sua obra principal, EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO (À LA RECHERCHE DU TEMPS PERDU), é um painel da vida no seu tempo. O primeiro volume foi editado à custa do autor, mas as edições Gallimard recuaram na sua recusa e aceitaram o segundo volume, À Sombra das Raparigas em Flor, pelo qual recebeu o prémio Goncourt.
A homossexualidade é tema recorrente na sua obra, principalmente em Sodoma e Gomorra e nos volumes subsequentes. Trabalhou sem repouso na escrita dos seis livros seguintes, até 1922. Nesse mesmo ano morreu esgotado, acometido por uma bronquite mal cuidada.