«Vocês sabem o que significa amar a humanidade? Significa apenas isto: estar satisfeito consigo mesmo. Quando alguém está satisfeito consigo mesmo, ama a humanidade. » Pirandello

sábado, 10 de janeiro de 2009

SELMA (OTTILIA LOVISA) LAGERLÖF (1858-1940)

[Não conheço literáriamente esta escritora, possivelmente nunca chegarei a conhecer, não me parece que presentemente se publiquem os seus livros, no entanto para a época foi uma lutadora, relativamente, não só ao sucesso que teve como escritora, como também à causa feminista, a que se dedicou]
Selma Lagerlöf nasceu na Suécia, numa propriedade chamada Marbacka, que seus pais administravam. A região em que estava situada a fazenda estava repleta de mitos, lendas e histórias de fantasmas. O seu pai era tenente e a sua mãe, era filha de um rico industrial da região.
Selma nasceu com um defeito articular na perna esquerda e, aos três anos de idade, viu-se subitamente impedida de andar, passando a infância a ouvir contar, histórias e lendas. Depois recuperou o andar, mas sempre sofreu de dores. Aos 15 anos, depois de ter dedicado toda o seu tempo à leitura, decidiu ser escritora e escreveu poesia. A situação financeira da família entrou em declínio e Selma teve que fazer pequenos trabalhos para se manter. Com a ajuda financeira de um empréstimo feito por seu irmão, entrou para uma escola, que formava professoras e que se preocupava com a causa feminista, incentivando a independência e o progresso social da mulher.
Aos 27 anos, foi nomeada professora de História. Em certa ocasião cortou os cabelos que sempre usara em tranças, num gesto que na época era escandaloso e visto como sinal de emancipação feminina.
Em 1885, a família, devido à doença do pai e às dívidas do irmão, perdeu Marbacka. Secretamente, Selma desejava trabalhar o suficiente para recuperar a propriedade da família. Publicou versos numa revista e participou num concurso de contos, com alguns capítulos de um romance, que andava a escrever e ganhou o primeiro prémio. Depois publicou o seu o romance completo, A Saga de Gosta Berling.
Após o sucesso, escreveu: Os Laços Invisíveis, Os Milagres do Anticristo, Lenda de uma Quinta Senhorial, Jerusalém, Escudos do Senhor Arne, As Lendas de Jesus Cristo e O Livro das Lendas. Era considerada uma das maiores escritoras suecas. Em Estocolmo conheceu Sofia Elkan, escritora de romances históricos, com a qual manteve correspondência e amizade até à morte.
Escreveu, por proposta de um director de uma escola, um livro para crianças das escolas primárias, para ensinar a história e a geografia do seu país. Selma fez uma extensa pesquisa e viagens de estudo e escreveu, A maravilhosa viagem de Nills Holgersson através da Suécia, alcançando tamanho sucesso que pôde realizar o seu sonho: comprar novamente Marbacka. Em 1904, recebeu a medalha de ouro da Academia Sueca; em 1907, foi nomeada doutora honoris causa da Universidade de Upsália; em 1909, recebeu o Prémio Nobel de literatura. Em 1914, entrou para a Academia Sueca, conservou a sua vida de fazendeira, mas continuou a escrever: A Casa de Liljekrona, O Carroceiro da Morte, Gnomos e Homens, O Imperador de Portugal, O Exilado, a trilogia dos Löwensköld e o seu último romance, Anna Svärd. Na velhice, publicou apenas volumes de lembranças, e morreu na Marbacka que tanto amava.


No fim do século XIX, a literatura sueca era dominada pelo realismo naturalista. Selma Lagerlöf, com sua obra mescla de gnomos, duendes e fantasmas, ao recriar a atmosfera ficcional das lendas e relatos populares, voltou ao romantismo. Era vista, popularmente, como uma narradora que encarnava a arte dos contos populares.

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